Durante o ano de 2016, eu tive diversas crises respiratórias, que foram constatadas como sinusite crônica, dentre essas crises, fui medicada, por ordens médicas, com o antibiótico amoxicilina. No primeiro semestre de 2016, tive em torno de seis crises, e em todas elas foram receitadas tal medicamento.

 

No final de Junho, em uma noite normal, comecei a sentir umas dores na região lombar esquerda, e avisei minha mãe sobre essas dores, e fomos diretamente ao hospital. Se tratava de uma intensa cólica renal, que segundo o médico, poderia ser advinda de um cálculo renal. No dia seguinte, fui diagnosticada com uma pedra no rim, de 2mm. Foi receitado uma dose de tramal no soro, e voltamos para a casa.

Durante três dias, fui e voltei diversas vezes nesse hospital, pois as dores estavam piorando, cada vez mais intensas e duradouras. O atendimento nesse hospital não foi nada bom, pois não houve uma investigação detalhada sobre o caso, e só me receitavam o medicamento tramal no soro, que é um medicamento que conforme o uso intenso, pode prejudicar os rins. Então, uma médica me solicitou que eu fizesse um exame de urina, a ponto de identificar qual a razão para tantas dores que nunca passavam. Ao receber o diagnóstico do exame de urina, não foi constatada nenhum tipo de infecção, e a médica que me atendeu novamente me receitou tramal.

 

As dores pioravam, no último dia, tomei duas doses de tramal no soro, e as dores não aliviavam, eu me contorcia de dor. Voltei para casa, já era de noite. Com certeza foi a pior madrugada da minha vida, pois as dores eram cada vez mais intensas, meu corpo estava totalmente inchado, havia vômitos constantes, não estava mais urinando, e eu não conseguia sequer me levantar da cama de tantas dores nos rins e pelo corpo inteiro.

 

Meus familiares decidiram me levar à um urologista, quando cheguei, o doutor solicitou as enfermeiras que me colocassem uma sonda de alívio, para detectar possíveis mudanças visuais em minha urina, e para a surpresa de todos, não havia urina, apenas gotas de pus que saiam da minha bexiga. O médico que me atendeu, muito cuidadoso, solicitou que fôssemos a um hospital grande, pois ele estava suspeitando de uma infecção alta nos rins, e escolhemos o conjunto hospitalar localizado na zona Norte de SP.

Ao chegar no hospital, na cadeira de rodas, me passaram diretamente com um cirurgião geral, que já me solicitou uma bateria de exames de sangue e tomografia ampla do abdômen e pelve, e um remédio para diminuir as dores. Quando realizei os exames, foi constatado no primeiro momento, uma grande infecção no aparelho urinário, que diz respeito a bexiga e rins. Já era de noite, fiquei durante toda a madrugada em observação, já tomando os antibióticos, e no outro dia, além da infecção nesses órgãos, também foi constatado infecções nos pulmões e no sangue, fechando então o quadro de sepse, também conhecido por infecção generalizada.

 

Meu nível de saturação, que condiz a capacidade de aproveitamento de oxigenação do corpo, estava em 39% (normal de 80% no mínimo), minha pressão arterial 7,5, febre de 39°, glicemia de 30, e exame de creatinina 5,7 (normal em até 1,5). No hemograma completo foram constatado leucócitos em 26.000, neutrófilos 22.790, e plaquetas em 19.000 (normal de 150.000 no mínimo).

Quando fechado o quadro de diagnóstico, uma equipe de médicos discutiram o assunto sobre quais passos seguir para a minha recuperação, e foram tomadas decisões arriscadas, mas que também seriam as únicas alternativas para combater a doença, como a inserção do catéter venoso central, onde é ligado a veia do pescoço, que poderia ser muito perigoso, com risco de hemorragia por causa das plaquetas. Logo após, fiz uma transfusão de plaquetas, e quando estabelecidas, passei por uma cirurgia de colocação de um catéter, que liga o rim até a bexiga, afim de alargar o canal e facilitar a passagem da urina, do rim para a bexiga.

 

Fui induzida ao coma, onde permaneci treze dias desacordada, com ajuda de tubos para respirar, e sonda para me alimentar.

Permaneci na UTI do hospital  por dezessete dias ao total. Eram realizados exames de hemogramas e creatinina  diariamente, e em alguns dias, exames de cultura do sangue, além de três sessões de hemodiálise. Tive uma infecção hospitalar, mas que foi combatida com um antibiótico de grande potência. No total, três antibióticos auxiliaram no tratamento, além de remédios extras que fizeram meu rim funcionar, e uma equipe maravilhosa de médicos e enfermeiros. Depois de um longo período, nos últimos dias de UTI, eu e minha família fomos informados de que já não existia nenhuma bactéria, e após alguns dias, fui transferida ao quarto do hospital, onde recebia somente a medicação para o rim funcionar melhor e abaixar a creatinina, além de exames como hemogramas e creatinina. Após dois dias de quarto tive alta da nefrologista, pois meus rins já estavam marcando 2,0, e o tratamento poderia ser continuado com a clínica. Após uma semana de quarto, tive alta com a minha creatinina marcando 1,7, e um pouquinho de anemia, causada pela transfusão e dieta do hospital.

Quando saí de alta hospitalar, marquei mais uma bateria de exames para ver se estava tudo bem, e a minha creatinina estava marcando 1,08, e um pouco debilitada, em questão de taxas dos glóbulos, por causa do tratamento. Agora, há menos de uma semana atrás retorno ao laboratório e marquei novos exames, estou sem anemia, com todas as taxas de glóbulos perfeitas, com as plaquetas marcando 369.000, e com a creatinina em 1,12, o que é extremamente perfeito em questão de saúde!!

Sepse é um conjunto de infecções, que podem ser provocadas por diversos fatores. Soube que no Brasil, milhares de pessoas morrem por ano por causa dessa doença tão complexa e tão difícil de ser curada… É uma jornada lenta, devastadora, mas que tem cura se percebível a tempo!! Enquanto estive internada, minha mãe pesquisou sobre a doença, e ficou extremamente triste ao saber que em muitos casos leva a morte. Porém, cada pessoa reage de uma forma diferente! Há médicos maravilhosos, e a medicina está ao nosso favor! O que eu tive foi extremamente sério, mas hoje, estou voltando as minhas atividades, um pouco debilitada e ainda com o cateter no rim, mas estou viva, graças aos cuidados que recebi no hospital, ao corpo de médicos e enfermeiros, ao pessoal que me apoiou e à doação de plaquetas de pessoas que eu nem conheço.

 

Decidi fazer esse relato, para passar a vocês o quanto esse quadro de infecção pode se tornar sério, e o quanto é importante seguir recomendações médicas, se consultar, não fazer o auto uso uso de medicamentos. E claro, o quanto é  maravilhoso poder salvar a vida de pessoas anonimas, que necessitam de um pouco do seu sangue para sobreviver.

Como disse, hoje estou seguindo com minha vida normal, e me sinto muito feliz em saber que eu tive uma segunda chance de viver, e com isso, quero fazer com que as pessoas se conscientizem da própria saúde, quero fazer do quadro que eu tive, válvula de escape para o bem do próximo.

 

Sepse é sério, pode levar à morte, mas tem cura!!! Fiquem atentos aos sinais

N.B. 22/05/2017

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