Olá meu nome é Alyne e eu tive SEPSE.

No ano de 2012 minha vida foi uma luta constante na questão da saúde, estava com 20 anos começando a vida acadêmica em publicidade e propaganda, feliz por estar em um bom emprego, fazendo planos para os anos futuros, satisfeita com a própria escolha de vida, e temendo que o ano de 2012 seria turbulento, com problemas na política, no desemprego, com a própria violência mas nunca me passou pela cabeça que seria eu vítima de tanta tribulação naquele ano. O ano se inicia e começam as batalhas, comecei a me sentir mal com frequência, dores nas costas, problemas digestivos, gastrointestinais, incessantes, dores que nenhum medicamento era capaz de curar, fui a vários médicos, unidades de saúde, pronto-socorro de vários hospitais, seguidos de vários exames, hemograma completo, urina I, II, parasitológico de fezes, ultrassonografia, ressonância magnética, endoscopia digestiva, tomografia, exame físico etc. Porém nenhum exame detectou que estava com Sepse, e nenhum médico teve suspeita, recebi vários diagnósticos como pedra na vesícula, cálculos renais, intoxicação alimentar, infecção estomacal e a sepse estava longe de ser o que realmente minha saúde indicava.  Em cada hospital que passava era internada, alguns por dias, outros semanas, e mais exames. Tive de sair do serviço para se tratar, um dos médicos que diagnosticou pedra na vesícula restringiu toda minha alimentação, e tudo que comia passou a me fazer mal, tinha vômitos constantes, febre mais 39°C, alucinações e desorientação. Isso durou mais de seis meses. Estava totalmente dependente de medicamentos para seguir uma vida normal, e o tempo foi passando. Em um dia de domingo fiquei em casa sozinha aparentemente estável, por volta das 14:00 passei mal, minha mãe teve que sair do serviço e vir as presas, um vizinho me levou ao 24 horas e foi dado o diagnóstico que um suco de uva fez as pedras da vesícula se movimentarem e por isso de tanta dor, recebi alta,  no mesmo dia uma amiga que tinha cirurgia marcada em um hospital universitário pediu que eu fosse na consulta com ela e levar todos os meus exames para que o médico dela desse um parecer sobre minha saúde. Mas não deu tempo, não andava mais, não falava e as dores eram tão intensas que estava anestesiada, na madrugada acordei sem nenhum nível normal de consciência fui para fora de casa e me agachei na varanda escura e fiquei por horas, meus pais levantar e viram a porta aberta ao acenderem a luz lá estava eu gemendo de dor, com sudorese e tremores, e dizendo sons incompreensíveis, meus pais correram para uma UPA próximo de casa, onde fui tomar SF 0,9 % por algumas horas, ao me levantar após receber alta, uma enfermeira disse para meu pai levantar minha blusa, e olhou minhas costas, em seguida foi para dentro e pediu um encaminhamento imediato ao médico que deu alta, pediu para meu pai ir ‘’voando’’ ao hospital universitário onde iria com minha amiga pela manhã e disse para ele ir o mais rápido possível pois eu iria morrer no caminho. Chegando ao hospital estava inchando e fui para a internação, pedi que meu pai fosse embora cuidar da minha mãe, no meio do caminho o Hospital ligou dizendo volte pois sua filha acabou de ir para o CTI, foi naquele dia que a Sepse foi diagnosticada.

Foi um longo caminho, Coma por 4 meses, seguido de varias paradas cardiorrespiratórias, convulsões, úlceras por pressão, sonda vesical de demora, sonda enteral, entubação, traqueostomia, dreno de tórax, pulmão, intra catt, acesso venoso, bomba de infusão, várias cirurgias, pneumotórax, hidrotórax, retirada de uma porção do intestino. Então o que me levou a sepse : Apendicite que só foi descoberta após um anjo  enviado por Deus pediu para então me abrir pois estava tão inchada que era impossível descobrir o que eu tinha de fato em meio a tanta infecção (pus) a partir daí foi uma luta para todos os meu órgãos. As lavagens do dreno eram constantes, cheguei a ser desenganada pelos médicos de 100% de chances tinha menos de 1 % pois meu estado era considerado gravíssimo sem expectativa. Ninguém desistiu de mim sou eternamente grata a todos os profissionais que tomou a minha causa e cuidaram de mim, EU SOBREVIVI A SEPSE. E ela me fez querer saber mais, passei a sonhar em ser médica mais como esse sonho é algo muito grande, me matriculei na enfermagem  hoje estou no 4° ano, amo cada momento que vivo na enfermagem, escolhi a SEPSE para ser tema do meu TCC, e tudo que faço é pensando na sepse pois não todas as pessoas que tem a chance de sobreviver a um problema de saúde pública como ela. O ILAS me fez entender tudo que aconteceu comigo e hoje sonho me tornar intensivista para cuidar dos pacientes com Sepse, e me especializar em cuidados intensivos, e um dia ser médica intensivista especialista em Sepse. Eu sobrevivi a Sepse e ela me fez olhar tudo de maneira diferente, ela me fez ter amor ao paciente critico, e o ILAS me fez querer cada dia mais me aprofundar nesse assunto e Salvar Vidas.

A.V.

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