SOBREVIVENTE | Alyne Vasques da Silva

Sou uma sobrevivente da sepse grave por conta de uma apendicite aguda pelo qual permaneci em coma por mais de um mês, pois vários meses tratei os rins, a vesícula e o estomago as medicação que usei por muito tempo fez uma suposta capsula em torno do apêndice em um momento todas as toxinas que nela acumulava era devolvido para dentro do intestino e para outros órgãos, pois não havia uma fissura para supurar  e nunca surgiu a hipótese que poderia ser sepse, cheguei a ser considera a paciente mais grave de todo o hospital, com menos de 1% de chances de sobrevivência, quando fui procurar ajuda na última opção já estava com comprometimento no neurológico, pulmonar e cardíaco, o cansaço era extremo, o nível de pureza do sangue era baixíssimo, durante o período do coma fiquei maior que o leito, com drenos em toda a cavidade abdominal e nos pulmões, ultrapassei o tempo de entubação adquiri bactérias e quando traqueostomizada fez rolha na cânula impedindo a passagem de ar. Após a alta hospitalar os desafios foram os piores, pois obtive atrofia nos membros inferiores, perdi o tônus muscular dos membros superiores, desenvolvi arritmia cardíaca, não tinha forças para mastigar, para falar pois ficava cansada muito rápido e sem ar, não reconheci minha família, não me lembrava de nada que aconteceu antes da sepse, não andava e não conseguia segurar nenhum objeto, os enfrentamentos foram grandes, onde tive aprender a andar, falar, escrever, comer, respirar sozinha sem ajuda de oxigênio, controlar a ansiedade para ajudar desacelerar o coração, tive que ver fotos e publicações diariamente dos amigos e familiares para reconhecer as pessoas, todos os dias acordava como se ainda estivesse no hospital, sem autonomia para escovar os dentes ou mesmo pentear os cabelos tudo que fazia era com dificuldades não sentia dores, mas sentia exaustão em dar bom dia e tinha dificuldades em permanecer sentada por muito tempo, sonolenta constantemente e com défcit cognitivo que permaneceu por muito tempo, esses desafios foram consequência de inúmeras paradas cardiorrespiratórias, drogas vasoativas,  várias cirurgias, e pouca expectativa, perdi os cabelos e hoje carrego várias cicatrizes de todas as cirurgias realizadas, perdi a sensibilidade dos MMII, e com tudo isso que aconteceu comigo hoje agradeço todos os dias por estar viva e ter vencida a sepse.

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